A Justiça, lebre para Lula; tartaruga para os bancos

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Quem ainda achar que a Justiça trata a todos com isonomia, olhe para as principais manchetes dos jornais de hoje.

Numa, depois de 26 anos de serem tungados pelo Plano Collor 2 (1991) e por outros que o antecederam, uma multidão de poupadores – 60% deles com valores de menos de R$ 5 mil, o que não os torna, nem de longe, especuladores ou “investidores” – aceitam um acordo para receber na Justiça aquilo que foi expurgado de suas pequenas economias.

Na outra, os desembargadores batem todos os recordes de velocidade e marcam, na metade do prazo costumeiro, o julgamento – melhor dito, a formalização da sentença condenatória que, desde o início, estava urdida, planejada para servir como último “gatilho” para evitar que Lula pudesse ser a alternativa eleitoral dos brasileiros, se acaso não bastasse, como não bastou, a campanha de destruição política a que foi submetido o ex-presidente Lula.

Na primeira, era dos bancos que se pretendia ver devolvido, modestamente, uma montanha de recursos que lhes serviu para ganhar várias outras, um cordilheira mesmo, de dinheiro tirado do público.

Na segunda, pretende-se punir alguém por ter “recebido” um apartamento que nunca foi seu, do qual não teve a chave, no qual não dormiu uma noite, e não há um mísero papel que comprove sua posse ou propriedade. E que, afinal, segue de propriedade do suposto “doador”, que o hipotecou à Caixa.

Tartaruga quase sempre, mais ainda quando se trata de direitos ante os “graúdos”, os senhores togados viraram lebres quando se tratou de usurpar, descaradamente, o direito do povo brasileiro de escolher os seus caminhos.

Com a presteza de mordomos, correm a fazer o que o conservadorismo brasileiro não consegue fazer pelo voto, mesmo dominando o dinheiro e a mídia: criar a chance de voltarem a vencer eleições, vender o país e condenar o Brasil ao atraso e à injustiça que nos agrilhoam por séculos.

Não há, sequer, a preocupação de fingirem-se olímpicos. Gilmar Mendes, que se sentou a chocar um voto contrário à proibição de dinheiro privado das eleições durante um ano e meio, apressa-se em dizer que “não há novidade” da rapidez do caso.

Não, não há.

Tudo, neste caso, é sempre conduzido pelo cabresto do interesse político, desde que os promotores paulistas que acabaram chamados de “Três Patetas” produziram a ficção de que o apartamento pertencia a Lula, num processo onde todos os  acusados foram absolvidos mas o ex-presidente foi pinçado para ser jogado no Coliseu de Sérgio Moro, em razão de uma “ligação” com a Petrobras que se prova apenas pela “convicção” e por um powerpoint,

Três distintos e bem-pagos senhores, no dia 24 de janeiro de 2018, como num distante 24 de agosto de 1954, preparam a morte de um líder  político e o nascimento de um líder histórico.

Ironicamente, entre 2018 e 1954, a distância fica num número que traduz o seu sentido: 64.

A tesoura da Justiça pode cortar uma candidatura, mas não pode cortar o fio da História.


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