Isolamento é o menor desde início da pandemia

Esta semana e a próxima vão se encarregar de colocar em xeque a abertura insana do comércio e a liberação, sem muito critério, das atividades econômicas.

Tivemos, nas duas últimas semanas, mais de meio milhão de casos, um terço do total registrado até agora, nos quatro meses em que já dura a pandemia.

À taxa atual de letalidade – 4% – isso significa, sem contar as pessoas que já têm um quadro que se agrava há mais tempo, mais de 20 mil mortes. 50% a mais do que as pouco mais de 14 mil que tivemos na mesma quinzena, o que já é um número intolerável.

Pode até piorar, como registra a Folha, hoje, revelando que a expansão da doença fora das capitais, em áreas com menos recursos hospitalares criando uma situação de maior precariedade no suporte médico aos pacientes em quadro grave.

Os governos repetem, sem qualquer amparo nos números, que “atingimos o platô”, desconsiderando que manter uma média de mil mortes diárias é algo que não poderia de estar nos deixando senão em alerta máximo.

Mas o que vemos é um relaxamento total dos cuidados, politicamente apoiado no cansaço da população com uma “meio-isolamento” que não foi capaz de conter a explosão da doença.

Mesmo com o tempo frio ajudando a permanência em casa, Rio e São Paulo registraram ontem o menor índice de isolamento social para um domingo desde o início da pandemia.

O preço pela irresponsabilidade será, ao que tudo indica, muito caro. E não serão nem os governantes nem os donos do dinheiro que o pagarão.