“Ilegal, e daí?”. A hipocrisia do jornalismo ‘lavajatista’

Disse, no post anterior, do desamor da elite brasileira pelo sistema legal que ela própria construiu, quando se trata da defesa de seus interesses políticos.

A lei é para todos, dizia o filme promocional da Lava Jato, mas é duríssima para os “inimigos” e uma mera formalidade para os “amigos”.

Eliane Cantanhêde, a quem a Globo e o Estadão dão o privilégio de terem milhões de brasileiros como público cativo, mostra cruamente como acontece isso:

As mensagens confirmam sua forte ligação com procuradores, principalmente com Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato. E a independência da Justiça? Juízes não devem e não podem manter relações promíscuas nem com a defesa nem com a acusação.
Isso, porém, é uma questão formal. Na prática, no dia a dia, que juiz não troca informações, mensagens e dúvidas com um lado, o outro ou ambos? E, cá para nós, nem chega a ser surpresa o trabalho e o esforço conjunto de Moro, procuradores, delegados e agentes da Receita Federal para chegar a um resultado espetacular: a maior e mais bem-sucedida operação de combate à corrupção de que se tem notícia.

Questão formal? A equidistância do juiz em relação a acusação e defesa é uma formalidade? Julgamento imparcial é apenas uma casca a ser exibida ao público?

Se uma “formadora de opinião” – sejamos justos, não apenas ela, mas outros, como Merval Pereira, que se prende ao vazamento como ilegalidade, e Miriam Leitão, que mal faz um “ai,ai,ai” pelo comportamento de Moro? Dallagnol – diz isso ao público faz desaparecer qualquer restição ao linchamento, porque se é para  condenar e punir sem isenção, faça-se a justiça aqui na praça, mesmo.

A parcialidade e as intenções políticas de Sérgio Moro sempre evidentes, ficaram materialmente consumadas com a sua ascensão ao governo, como ministro. A troca de mensagens, porém, trouxe algo indispensável: a prova de que a conspiração política ocorreu.

Provas são sempre indispensáveis e não terem sido para com Lula não as torna menos importantes no caso de Moro.

A lei é para todos não pode ser apenas um mote de campanhas políticas para tomar o poder.

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