Guedes parte para a chantagem explícita. “Não brinco mais”, ameaça

Incapaz de propor qualquer medida econômica que anime um pais que se transformou, nas palavras de Delfim Netto a Claudia Safatle, no Valor, em “um buraco negro”, Paulo Guedes insiste em seu samba de uma nota só: que apenas uma reforma estrondosa na Previdência salvará o Brasil do caos, agora já virá no ano que vem. A sua ameaça, explícita, deveria ser apavorante como a de um deus que diz que abandonará um país.

Se o Congresso não mantiver o saque das aposentadorias perto de R$ 1 trilhão, “pego um avião e vou morar lá fora”, avisa ele em entrevista dada à Veja.

Nenhuma palavra sobre qualquer projeto para a economia que não o de, com o corte dos proventos, esperar um florescimento da atividade econômica pela “confiança do investidor”.  Vê-se que é, então, a mesma ladainha de que o capital financeiro, seguro que às burras do Tesouro não faltará com que remunerá-lo – à custa da desgraça social –  se despejará em caudalosas torrentes sobre o Brasil.

Ofendo o leitor e a leitora se perguntar quantas vezes vocês ouviram esta cantilena?

Guedes, como o seu chefe, aposta em obter tudo com ameaças de caos. Na pauta econômica, seu comportamento é semelhante ao da pauta política e moral do bolsonarismo: a dominação tem de ser completa e todos devem crer no que diz e segui-lo como ovelhas.

Não há nenhum economista sério que encare a reforma da previdência como remédio imediato para uma crise que, unanimemente, todos vêem agravar-se. Certamente quase todos acreditam na necessidade de uma reforma previdenciária, mas sabem que seus efeitos só podem ser de médio e longo prazo e serão zero se não forem adotadas medidas contra o ciclo de encolhimento que o país está a viver.

E estas medidas estão tão em falta no Posto Ipiranga que até Jair Bolsonaro se lança a imaginar um “imposto de atualização de valores de imóveis” que é uma destas tolices rematadas de gente que acredita que vai “descobrir a pólvora”.

Talvez a ideia de Paulo Gueedes de pegar um avião e ir morar lá fora seja uma proposta mais eficaz para a recuperação da economia.

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