Governo tenta atropelar acordo e se põe em risco na CCJ

O governo, até agora, vinha escapando de todos os confrontos que o colocassem em desvantagem no parlamento.

Na votação do orçamento impositivo e na do decreto que ampliava o poder de funcionários de ampliar o sigilo de documentos, sentindo a rejeição, embarcou num “voto único”, contrário.

Na Comissão de Constituição e Justiça, vendo que haveria a convocação formal de Paulo Guedes, depois que este faltou ao primeiro convite, optou por um acordo para que comparecesse na semana seguinte.

Bastou o panorama melhorar um pouco, com duas derrotas da oposição ao tentar obstruir o andamento para o governo “se achar” e Ônyx Lorenzoni disparar um telefonema mandando o presidente da CCJ, Felipe Francischini, dar o dito pelo não dito e romper o acordo de inversão de pauta que privilegiaria a votação das emendas parlamentares impositivas.

Com o recuo de Francischini, informa Tales Faria em seu blog, o Centrão resolveu atropelá-lo e o presidente da comissão passou a admitir que porá em votação a inversão de pauta.  Se o governo tentar evitá-la, no voto, terá uma derrota expressiva.

E terá, afinal, produzido uma votação em que e medirá a minoria de apoio incondicional que tem e que permitirá ao centrão contabilizar o seu poder de barganha.

É provável que recue – não sem antes sucessivos discursos de protestos contra a intervenção de Ônyx e do Planalto –  e ceda, para que não aconteça o que lá no interior gaúcho se expressa com o ditado “cachorro que comeu ovelha, só matando”.

O governo está refém do pior dos inimigos: o tempo.

Enquanto Rodrigo Maia repete as declarações de que a reforma será votada logo, o Valor divulga que seu partido, o DEM, projeta só para setembro a votação na Câmara.

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