Gilmar diz o que militares da ativa não podem dizer. Veja

As declarações de Gilmar Mendes, ontem, em um debate promovido pela revista Istoé, de que a presença de um general no comando do Ministério da Saúde “é péssima para a imagem das Forças Armadas” e que “o Exército está se associando a esse genocídio” da epidemia do novo coronavírus não são, ao que tudo indica, uma opinião apenas do ministro do STF.

Convém lembrar que, há poucos dias, Mendes teve um longo encontro com o comandante do Exército, general Edson Pujol e, certamente, não iria falar algo que não tivesse, ao menos, intuído de suas conversas.

Por mais que, oficialmente, o Ministério da Defesa vá dar – como já fez, antes, com outras críticas – algumas respostas formais, provavelmente listando as ações dos militares frente à pandemia, a questão não é quantos batalhões descontaminadores ou quantos voos militares foram empregados em apoio ao combate ao vírus.

A questão é política, a identidade de quem – e porque – está no comando do que deveria ser uma grande operação de emergência nacional, mas que se tornou um “jogo de empurra” do Governo Federal, querendo jogar no colo de prefeitos, governadores e dos cientistas que não aceitam a “milagrosa cloroquina” toda a responsabilidade pela tragédia.

As Forças Armadas estimularam a chegada de um psicopata ao poder e se deixaram levar por generais megalômanos que viram nisso a grande capacidade para suas incompetência reinarem.

O que elas precisam desmilitarizar não é a Saúde, apenas. Mas o Governo.