Folha dá mais provas das “fábricas de fake news”

“Pensei melhor, estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo”.

A frase, de Hans River do Nascimento, ex-funcionário de uma das empresas que dispararam, durante a eleição, milhões de mensagens em grupos de Whatsapp é a desculpa que deu à Folha o sujeito, depois de ter feito um acordo financeiro com o ex-patrões.

Para azar dele, o que havia dito aos repórteres Artur Rodrigues e Patrícia Campos Mello,  havia sido gravado e nas conversas ele falava em milhares de chips adquiridos com nome e CPF de pessoas que desconheciam  o uso de seus dados para criar celulares “fake” para distribuir mensagens.

Há até uma foto de uma caixa contendo centenas de chips usados na falcatrua.

A matéria, toda documentada pela troca de mensagens entre os gerentes da empresa, conta que o submundo da propaganda ilegal com o uso de redes sociais era operado por centenas de pessoas:

Segundo Nascimento, ele e vários de seus colegas chegaram a trabalhar 16 horas seguidas para dar conta dos disparos encomendados pelas campanhas. “Muita gente dormia lá, na escada, sofá, hall. Descansava um pouco, ia lá e fazia mais um turno”, disse.
Uma mensagem em nome de Flávia explica aos funcionários que a empresa cresceu “desordenadamente nos últimos meses com a operação da
bulk services [disparos em massa]” e que o prédio usado não comportava mais seus quase 200 funcionários.

Não se sabe se haverá alguma investigação sobre as quadrilhas de criminosos cibernéticos e sobre seus contratantes, já que o presidente eleito considera o caso das “fake news” uma “fake new”.

Mas não percamos as esperanças, a Doutora Rosa Weber, presidente do TSE, já deve ter marcado para 2020 uma reunião da comissão do grupo de trabalho da assessoria especial dedicada a controlar o uso de esquemas ilegais de distribuição de mensagens.

 

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