Foi-se a quinzena do “mimimi”. A hora da verdade vai chegando

Excluído o dia 1° de janeiro, dividido entre a ressaca e as pompas da posse, cumpriu-se ontem a primeira quinzena do governo Jair Bolsonaro.

Mesmo sua medida de maior impacto, o decreto de facilitação da compra e posse de armas, embora indutor de tragédias pessoais, é algo que, do ponto de vista de políticas públicas (no caso, de segurança pública) em nada modifica a realidade num país que tem, segundo se estima, oito milhões de armas não registradas.

Em matéria de política econômica – uma das quais oferece ao governo a maior capacidade de ser alterada sem intervenção, ou intervenção a posteriori, do Congresso – absolutamente nada foi feito, nem mesmo uma mísera mudança de alíquota nos impostos que, no discurso oficial, seriam os responsáveis por nossas desgraças na economia.

Não tive a pachorra de fazer um levantamento das manchetes, mas não é difícil concluir que – com as exceções de Cesare Battisti e Nicolás Maduro – nada ou ninguém ocupou ocupou as capas dos jornais senão as informações em off sobre a reforma da Previdência, mesmo à bica de completarem-se três meses desde que, eleitos, erigiram esta questão em chave mestra da economia.

O que, é claro, é falso, pois mesmo a mais dura cassação de direitos previdenciários produzirá, nos primeiros tempos, efeitos financeiros muito próximos de zero.

Tudo é indefinido e fluido, desde a indefinição sobre se as mudanças atingiriam os militares até a esdrúxula presença – certamente por amor à pátria – do guru dos fundos de investimento Armínio Fraga.

De concreto, mesmo, só desmontes.

A fiscalização (a do Trabalho, sobretudo)  está semiparalisada – ou quase que totalmente, por semiparalisada já fica por conta do mês de janeiro-; a Embraer foi-se sem deixar um ceitil para o país, mas dando R$ 1,6 bilhões a seus acionistas privados, livres de impostos; o delírio das parcerias público-privadas é uma declaração de intenções sem gestos, pois precisam para já de modelagens e editais e só rendem – a ver como se portam as finanças mundiais, hoje sombrias – investimentos lá adiante.

A lista poderia seguir, é desnecessário.

Já é certo que a próxima semana será consumida pelo desfile do animal exótico no zoológico de Davos e a seguinte pelos arranjos das eleições das presidências da Câmara e do Senado.

E o país que elegeu um presidente sem idéias relevantes completará um mês de governo irrelevante, pois em nada muda a desgraça nacional meninas vestirem rosa e meninos, azul.

Só num setor a produção nacional saltou vertiginosamente: a produção de asneiras.

O resto, inclusive os festejados recordes da Bovespa, é só especulação.

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