“Estadão” reconhece que comércio que abriu está às moscas

O Estadão, hoje, traça um cruel retrato do que tem sido a reabertura das lojas comerciais que, salvo em alguns poucos setores, tem sido – como já se previa, há tempos – apenas a confirmação de que ela é apenas uma ilusão de retomada e, pior, só com efeitos negativos para a expansão da doença e da crise que vivem.

As lojas, inclusive as de shoppings, estariam, diz a reportagem, com ” vendas médias 90% inferiores às de antes da pandemia“.

Fossem o dobro, sequer pagariam os custos da reabertura.

Para os que abrira, porque há ainda muitas lojas fechadas e comerciantes indecisos sobre se vale a pena abri-las.

O setor de serviços – o que menos pode funcionar, ao contrário do comércio, com vendas online – nem sequer “respirou” de abril para maio, embora ainda não tenha, como eles, alcançado queda de dois dígitos em relação ao ano passado.

Serviços, como se sabe, respondem por 70% do Produto Interno Bruto brasileiro.

As comparações mês a mês são enganosas, porque as bases de comparação são completamente descalibradas. O setor de transporte aéreo, por exemplo, caiu 27% em março, queda de novo de 73% em abril – sempre na comparação com o mês anterior e subiu 9,2% em maio. Mas, como você pode observar, 9,2% sobre uma base quase zero.

Estamos, portanto, num pântano estatístico, que só encontra algum apoio quando se comparam os números aos registrados em igual período de 2019.

Há um sinal de alerta que poucos perceberam: nosso saldo comercial, ainda que beneficiado pela desvalorização cambial do país, expandiu-se basicamente pela queda das importações que, na primeira semana de julho, caíram nada menos de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

Isso é um sinal de que a queda de insumos estrangeiros é resultado de um menor apetite da indústria de transformação, que respondeu por mais de 90% da redução de valor das importações.

Esta recessão não é só um buraco, ela é um vale – e profundo – que se estenderá até muito longe.