Episódio Moro desmente o “Jairzinho Paz e Amor”

Passando na peneira, vê-se que o episódio de desmoralização de Sérgio Moro – perdoe-se o trocadilho – acontecido ontem com a “desnomeação” de uma suplente de conselheira do Ministério da Justiça  tem a mesma substância do que havia sido recém superado, o da ofensa pública ao então ministro Gustavo Bebianno.

Em ambos, não havia prejuízo algum em que Jair Bolsonaro seguisse a velha regra da política de deixar que os problemas amadureçam nas árvores para só depois derrubá-los a vara.

Como o presidente não se comunica, tuita ou babuja palavras sincopadas de teleprompter, não é possível afirmar com grande certeza, mas a impressão que dá é a de que, nos últimos tempos, tem engolido tantos desaforos que, quando aparece algum que possa vomitar em sua própria área de mando, o faz sem cerimônia, com estrépito e sem se importar com que o vejam.

Bolsonaro tinha passado uma semana infernal, tendo de se portar com urbanidade e flexibilidade por conta da reforma previdenciária. Recebeu os líderes dos partidos, gente com quem nunca teve muita identificação como parlamentar, aguentou firme as provocações de Rodrigo Maia, teve de deixar o General Mourão enquadrar o destrambelhado chanceler Ernesto Araújo…Era demais.

Aí resolveu partir para cima de Sérgio Moro, cuja ambição e servilismo já testara no decreto das armas. Com a polêmica causada pelo caso da conselheira e certo de que o ex-juiz mia e obecede, soltou-lhe o coice que o paranaense absorveu, claro que sem deixar de contar a auxiliares e jornalistas que “foi o PR que mandou”, para justificar sua pusilanimidade.

Os olhos com mandato parlamentar estão vendo tudo isso e assimilando regras e riscos de fazerem negócios com o presidente da vez.

O Josias de Souza, do UOL, sempre cita uma frase atribuída ao lendário deputado Zezinho Bonifácio, que dizia ter de tudo no Congresso, menos bobos.

E vão voltar do carnaval pedindo mais anéis e dedos do que aqueles que o presidente rapidamente resolveu dar.

Jairzinho Paz e Amor é um personagem que não cabe na alma do capitão.

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