É o contrário, Carluxo: rápidas transformações, só as que a gente não quer

O filho pitbull de Jair Bolsonaro, Carlos, cometeu mais um ato de sincericídio no Twitter, ao afirmar que “por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos”, seguida de um ameaçador e enigmático “se isso acontecer”…

De alguma forma, ele, porém, tem razão: nos últimos tempos, rapidamente, só têm acontecido as transformações que o Brasil não quer.

Não saímos, em poucos meses, de uma ordem democrática para um autoritarismo nem tão disfarçado?

Não deixamos de ser tolerantes e transformamos o convívio social num festival de ódios em apenas dois ou três anos?

Não vendemos, em poucos meses, a BR distribuidora, que construiu por décadas a liderança na distribuição e comercialização de combustíveis desde os poucos “postos Petrobras” dos anos 60? Não vamos vender, num megaleilão, o resultado do trabalho e da capacidade brasileira de encontrar petróleo no pré-sal? Ou liquidar, na bacia das almas, os centenários Correios?

Também não tiramos, quase que num estalo de dedos, dos trabalhadores os direitos que, desde os anos 40 do século passado e estamos fazendo o mesmo com as aposentadorias?

Construir é lento e destruir é veloz.

Rápido só se pode fazer o mal. O progresso social, mesmo quando há revoluções políticas têm caráter democrático e popular, é necessariamente lento, porque demanda trabalho, educação, investimento, definição de objetivos estratégicos e inserção soberana do Brasil no mundo.

Tudo aquilo que o governo de seu pai despreza, a começar pela democracia.

Mas não se negue a capacidade dos Bolsonaro transformar: afinal, estamos mesmo virando selvagens com ele, talquei?

 

 

 

 

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