Doutor Florentino, pior do que está não fica

O Dr. Florentino Cardoso, o presidente da AMB (Associação Médica Brasileira), diz na Folha que a população de baixa renda será a que mais vai sofrer com a vinda de médicos cubanos, anunciada ontem pelo Ministério da Saúde.

O motivo?

“Muitos não vão nem saber se tiveram um atendimento satisfatório, ou se o procedimento adotado fazia sentido. Vai ser uma tragédia.”

Claro, porque os médicos cubanos são incompetentes, incapazes, nem se comparam aos médicos brasileiros, que recebem o registro e a autorização para clinicar sem passar pelo “Revalida” que se exige aos formados fora do Brasil.

Ele se esquece, porém, que estes médicos estão indo para onde os nossos doutores acham muito sujinho e atrasado para merecer sua presença.

Mas ainda que não fosse assim, o que o Dr. Florentino diz destes médicos brasileiros, que não seriam “uma tragédia” para as classes mais pobres?

Vejam só, no Estadão:

Se já consideramos o retrato da saúde pública como filme de guerra, vejamos o que mais há por aí. Nos últimos anos faculdades de medicina foram criadas às dezenas de norte a sul do País, a maioria escolas privadas (estarão visando somente o lucro?) sem estrutura mínima para formar bons médicos. Falamos de cursos sem hospital-escola, com corpo docente não adequadamente qualificado, bibliotecas precárias, grade pedagógica deficiente.

O resultado é o que vimos dias atrás, quando o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo apresentou o resultado das avaliações de prova facultativa com estudantes do último ano de Medicina. Quase metade deles não sabe interpretar uma radiografia, fazer um diagnóstico após receber as informações dos pacientes. Metade ainda faria o tratamento errado para infecção na garganta, meningite e sífilis e não é capaz de identificar uma febre alta como fator que eleva o risco de infecção grave em bebê. O que podemos esperar? E nossos filhos, pais, amigos e parentes de pessoas formadas com tamanha insuficiência de conhecimento? É, de fato, assustador.

Dr. Florentino, o senhor acha eu um médico formado em Tegucigalpa não sabe tratar uma infecção de garganta, como diz o senhor metade dos médicos brasileiros não sabe?

Claro que não, não é? Pode crer, pior do que está não fica, até porque eles vão atender brasileiros que nem os incompetentes que o senhor diz que são a metade dos médicos brasileiros querem cuidar.

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