Direção da Petrobras reafirma que não cederá áreas do pré-sal

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A Petrobras publicou, ontem, em seu blog Fatos e Dados, uma série de esclarecimentos sobre seu Plano de Negócios  para os próximos anos.

Nela, alguns pontos muito importantes, porque são a reafirmação oficial de que improcedem as versões de que a empresa estaria disposta a reduzir sua participação na exploração do pré-sal.

Elaborado na forma de perguntas e respostas, é com um “não” que se refere à possibilidade de venda das áreas do pré-sal que estão em produção. Como não há a possibilidade de ceder áreas dos megacampos de Beija-Flor ( antes chamado de Franco) e de venda de parcelas do de Libra, onde tem apenas 10% a mais do que os 30% obrigatórios, os grandes reservatórios que não estão ainda em produção, isso equivale, na prática, a negar o desinvestimento em áreas do pré-sal.

É claro que o país tem prejuízos estratégicos com a redução dos investimentos da empresa, mas é compreensível que a depressão – mais longa do que se previa – dos preços do petróleo no mercado internacional não deixam à Petrobras, como não deixaram às demais grandes petroleiras, alternativa senão a de cortar ou retardar novas inversões pesadas.

O essencial, no momento, é sustentar os investimentos em curso – que são em si já imensos – assegurando a construção no Brasil das sondas de águas ultraprofundas (que terá, possivelmente, solução em breve), dos navios-plataforma já contratados, concluir a Refinaria Abreu e Lima e acertar a continuidade do Comperj, duas plantas de refino absolutamente indispensáveis para qualquer pretensão de retomada de crescimento do país.

Outra medida polêmica, a abertura de capital da BR Distribuidora, só poderá ser corretamente avaliada quando se souber que parcela do capital da empresa se pretende oferecer ao mercado. Se não for muito grande, é uma forma aceitável de obter capitais para “desenforcar” a holding Petrobras de parte de seu endividamento. Mas é irresponsável fazer qualquer juízo de valor sem saber desta informação essencial e é ocioso discutir o que, se acontecer, não será agora, num cenário de restrição aos investimentos em petróleo, o que significaria vender outro na bacia das almas.

Leia abaixo o post do Fatos e Dados:

Tire suas dúvidas sobre
nossos investimentos e desinvestimentos

Muitas informações estão circulando na imprensa e nas redes sociais sobre os investimentos e desinvestimentos previstos em nosso Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. Mas, afinal, é tudo verdade o que está sendo dito?

1. As áreas do pré-sal que estão em produção serão vendidas?

Não. A nossa carteira de desinvestimento é dinâmica, pois o desenvolvimento das transações dependerá das condições negociais e de mercado. Assim sendo, a lista de oportunidades para alienação pode sofrer alterações devido às condições de mercado e à análise contínua dos negócios da empresa. Por questões estratégicas e sigilo comercial não informamos os projetos de desinvestimentos de nossa carteira.

2. A Petrobras vai parar de investir?

Não. Serão investidos 130,3 bilhões de dólares de 2015 a 2019, de acordo com o nosso Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. Do total, 83% (108,6 bilhões de dólares) serão destinados à área de E&P, que vai priorizar projetos de exploração e produção de petróleo no Brasil, com ênfase no pré- sal. Nas demais áreas de negócios, os investimentos destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e a projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás natural.

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3. Desinvestimentos são comuns entre as grandes empresas de petróleo?  

Sim. A redução dos nossos investimentos segue a tendência mundial da indústria de petróleo e gás e está diretamente ligada à redução dos preços de petróleo no mercado mundial. Empresas do setor – majors, empresas nacionais e independentes – têm previsão de reduzir investimentos em todas as áreas, inclusive na área de E&P. A média mundial de diminuição de investimentos no segmento de E&P este ano em relação a 2014 é de 20%. O nosso montante de desinvestimentos para o período entre 2015 e 2016 foi revisado para US$ 15,1 bilhões (sendo 30% na área de Exploração e Produção, 30% no Abastecimento e 40% no Gás e Energia). O plano também prevê esforços em reestruturação de negócios, desmobilização de ativos e desinvestimentos adicionais, totalizando US$ 42,6 bilhões entre 2017 e 2018. Com essas medidas, buscamos maior eficiência na gestão de serviços contratados, racionalização das estruturas e reorganização dos negócios, otimização dos custos de pessoal e redução nos dispêndios de suprimento de insumos.

4. Além do pré-sal, demais áreas vão receber investimentos?

Sim. Na área de Abastecimento, vamos investir 12,8 bilhões de dólares, sendo 69% em manutenção e infraestrutura, 11% na conclusão das obras do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima e 10% na Distribuição. O montante total inclui investimentos no Comperj para recepção e tratamento de gás, manutenção de equipamentos, dentre outros. A área de Gás e Energia tem alocados 6,3 bilhões de dólares, com destaque para os gasodutos de escoamento do gás do pré-sal e suas respectivas unidades de processamento (UPGNs).

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5. As obras do Comperj estão paradas?

Não. Conforme o nosso Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, as obras da central de utilidades do Comperj e das unidades de infraestrutura que irão suportar a partida da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) estão em andamento com previsão para entrar em operação até outubro de 2017. Quanto ao projeto da Refinaria Trem 1, estamos estruturando um modelo de negócio visando a sua conclusão.

6. Serão concluídas as obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest)?

Sim. O primeiro conjunto de refino (Trem 1) já iniciou suas operações, enquanto prosseguem as obras para colocar em funcionamento o Trem 2, com previsão de entrada em 2018.

7. A Companhia vai se desfazer da Petrobras Distribuidora?

Não. Informamos que, em continuidade ao processo de estudos para oferta pública de ações da Petrobras Distribuidora (BR) divulgado através de Fato Relevante em 01 de julho de 2015, nosso Conselho de Administração autorizou o protocolo de registro de oferta pública e de companhia aberta da Petrobras Distribuidora na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).Todos os atos necessários para realização da oferta estarão sujeitos à aprovação dos órgãos internos da Petrobras e da Petrobras Distribuidora, bem como à análise e à aprovação dos respectivos entes reguladores, supervisores e fiscalizadores, nos termos da legislação aplicável. A presente comunicação não deve ser considerada como anúncio de oferta e a realização da mesma dependerá de condições favoráveis dos mercados de capitais nacional e internacional.

8. A Transportadora Associada de Gás (TAG) vai ser vendida?

Não. A partir de um termo de compromisso assinado com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), vamos reestruturar a TAG e suas subsidiárias integrais: Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e Nova Transportadora do Nordeste (NTN). Nosso objetivo é criar uma carregadora de gás natural no Nordeste e outra no Sudeste do Brasil. Ao final desse processo, apenas as empresas TAG e NTS serão mantidas, ambas como nossas subsidiárias integrais, sendo a TAG responsável pelos ativos do Norte e Nordeste e a NTS pelos ativos do Sudeste. Essa operação altera apenas a estrutura societária das subsidiárias, sem impacto no negócio de transporte de gás natural.

9. Os negócios no exterior vão acabar?

Não. Nos próximos cinco anos, prevemos para a área de Exploração e Produção 4,9 bilhões de investimentos no exterior, e no Segmento Abastecimento está previsto 1,3 bilhão de investimentos para o negócio distribuição.

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