Concessão do Galeão mostra que a Vale foi simples doação

Nestes dias de recesso forçado do Tijolaço, li muitas comparações improcedentes entre o valor oferecido no lance dado no leilão de concessão do Aeroporto do Galeão (cerca de R$ 19 bilhões) e o bônus cobrado pelo campo de Libra, no pré-sal brasileiro, de R$ 15 bilhões.

São duas coisas completamente diferentes,como o nome indica.

É claro que Libra vale muito mais e muito mais renderá para o país.

A primeira (e menor) diferença é que o bônus de Libra será pago à vista, até o final do mês, em parcela única.

Já a concessão do Galeão, em 25 parcelas anuais de R$ 760 milhões, corrigidas pelo IPCA, a primeira delas em março de 2016.

Cada uma destas parcelas anuais equivale a apenas dez dias do que o Governo recebe diretamente do petróleo de Libra, se dividida a receita dos 10 bilhões de barris por cada um dos dias dos 35 anos de validade do contrato de partilha.

Isso sem considerar impostos, royalties e a parte governamental da Petrobras.

Não dá para comparar uma coisa e outra, porque a remuneração ao Estado é incomparável, não é?

Mas, por incrível que pareça, foi o perfil satírico Dilma Bolada quem fez a comparação que deveria ser feita.

A entre a concessão do Galeão e a venda da Vale.

A privatização de 41,73% das ações ordinárias – que dão direito a voto – e 28% do capital total de uma das maiores mineradoras do mundo, com um portfólio de jazidas suficiente para abastecer o mundo de minério de ferro por mais de dois séculos foi feita, no Governo Fernando Henrique, em 1997, por US$ 3 bilhões.

Cerca de R$ 7 bilhões em dinheiro de hoje.

E para sempre.

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