Coitado de Deus

Já não é caso de política ou de diplomacia.

É de psiquiatria ou, talvez, quem sabe, de exorcismo.

O futuro ministro das Relações Exteriores – prestem atenção, o homem que vai representar e cuidar dos interesses do Brasil perante o mundo – definitivamente surtou em seu delírio místico reacionário.

Deus, diz ele, promoveu uma aliança entre o astrólogo Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro e Sérgio Moro, para trazê-lo de volta depois dos anos dos “ateus” da Nova República.

O delírio não é meu e, para provar publico trecho da reportagem de O Globo sobre o artigo de Ernesto Araújo numa revista fundamentalista dos Estados Unidos;

Em artigo para a edição de janeiro da revista americana The New Criterion, o futuro chanceler Ernesto Araújo afirma acreditar que a divina providência “uniu as ideias de Olavo de Carvalho à determinação e ao patriotismo de Jair Bolsonaro” para pôr fim ao regime “corrupto e ateu” que, segundo ele, emergiu no Brasil com a Nova República e teve seu auge nos governos do PT.

No texto, ele cita Deus 12 vezes e afirma que, com o governo que toma posse em 1º de janeiro no Brasil, “Deus está de volta, e a nação está de volta: uma nação com Deus”.

“Meus detratores me chamaram de louco por acreditar em Deus e nos atos de Deus na História — mas eu não ligo”, escreve Araújo, que tem sido criticado dentro e fora do Itamaraty por defender ideias que vão contra as tradições diplomáticas brasileiras, como o abandono de acordos internacionais e a adoção de políticas contra a China, maior parceiro comercial do Brasil.

Segundo ele, além de Bolsonaro e do guru da direita Olavo de Carvalho, a Operação Lava-Jato contribuiu para a mudança de regime. “Especialmente desde os grandes protestos contra tudo de 2013, eventos sociais, políticos e econômicos começaram misteriosamente a se encaixar”, escreve ele.

Depois do João de Deus, temos um novo charlatão colocando o Senhor em maus lençóis.

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