Chagas: soltar Lula para “deixar barato” conspiração da Lava Jato

Em artigo n’Os Divergentes, a jornalista Helena Chagas diz que “ainda que não sejam aceitas judicialmente por sua origem, ou como elementos capazes de anular de imediato condenações da Lava Jato, elas [as denúncias de combinação entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol] criam [no Judiciário] um clima favorável à decisão de aceitar logo os recursos do ex-presidente para que ele, no mínimo, passe a cumprir sua pena em regime semi-aberto ou aberto.

Pode ser e Helena, em Brasília, tem muito mais contatos de bastidores do que eu.

Acho, porém, que não será fácil assim.

É capaz, mesmo, que a “ala pró-Moro” na falta de condições para defendê-lo destas e das que virão nos próximos dias, queira apelar para que o relaxamento da prisão de Lula sirva como um “calmante” no caso, até que o tempo absolva Moro e Dallagnoll. E que se encontre o que fazer com o ex-juiz, uma vez que o Supremo, depois deste caso, se tornou ainda mais longínquo do que já estava, para ele.

Para eles, porém, o ex-juiz não é uma prioridade, é bananeira que já deu cacho.

Mas há outra ala que esfrega as mãos com as desventuras do Savonarlla de Curitiba.

Moro formou um leque nada desprezível de opositores no Supremo Tribunal Federal, claro que com a inestimável ajuda de seu parceiro de Telegram, Deltan Dallagnol. Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Marco Aurelio Mello e, mais discretamente, Celso de Mello não o suportam. Dificilmente deixarão de aproveitar o momento de fragilidade dele, ainda mais quando o ministro da Justiça pode ser peça chave na escolha do novo ocupante do cargo de Procurador Geral da República, que dá assento no plenário da Corte Suprema. E “enquadrar o MP” é, sim, uma prioridade.

Como disse no post anterior, é precipitado dizer o que farão amigos e inimigos de Moro na Justiça – Dallagnol não tem amigos por lá – antes que se conheça toda a extensão das revelações que serão feitas pelo The Intercept.

 

 

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