Castigo de Trump e a “mão amarela” de Bolsonaro

As declarações de Jair Bolsonaro, agora de manhã, negando que o governo brasileiro estivesse forçando uma alta do dólar, são um indicador de que “pegaram” as suspeitas de que isso estivesse acontecendo. E que o país não vai adotar uma posição altiva sobre sua independência em matéria de política cambial, pois o presidente falou ainda que não estava “decepcionado” com a decisão de Donald Trump em impor sobretaxas ao aço e ao alumínio brasileiros por conta da suposta desvalorização proposital do Real.

É bom lembrar que estas suspeitas não eram só de Trump e levaram, ontem, o Financial Times a suspeitar, pela primeira vez em nossa história, da confiabilidade dos dados estatísticos da economia do país.

Se é ou não verdade, são outros quinhentos, embora seja estranho terem deixado de contabilizar quase seis bilhões de dólares em exportações.

Se isto tivesse acontecido numa instituição privada, cairia gente, no mínimo, em nível de diretoria e quem sabe até mesmo o presidente da empresa, por conta do prejuízo causado aos acionistas.

O fato objetivo é que o dirigente político (e econômico) do mundo, Donald Trump, poder acusar o Brasil de estar manobrando artificialmente seu câmbio tem efeitos terríveis sobre nossa economia.

E o presidente da República acaba de ser obrigado a, como na brincadeira infantil, mostrar que não está “com a mão amarela”.

Se não aconteceu o que aconteceria normalmente é que o erro – se é que foi mesmo erro – foi referendado por quem tinha uma imensa cadeia de controles para percebê-lo e, ao contrário, mandou o país “ja ir se acostumando” a um dólar nas alturas.

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