Calçacos com a ferradura

A manifestação para lá de estranha – até ser esclarecida por rompante igualmente cavalar de Jair Bolsonaro, que mostrou que é tática de poder – colocando a culpa dos problemas brasileiros em algumas dúzias de manifestantes pró-democracia mostra que, nos círculos palacianos, não importa as gentilezas de comparecer à posse de Alexandre de Moraes, não há dissensões ou disposição de recuar no grupo de militares palaciano.

Se ainda há decoro e contenção, isso é entre os generais da ativa que, pelo silêncio, estão mais reticentes a aventuras, o que não quer dizer que, por cima e por baixo não estejam pressionados.

Não imagino que, ao menos com a maioria dos ministros do STF, a pantomima dos “recuos” de Jair Bolsonaro convença-os que seus pescoços – no sentido moral e institucional – estão no cepo e que se afia o machado com a crise, porque Bolsonaro precisará responder com mais agitação ao seu agravamento.

Como já não há cronograma para a retomada de um convívio social seguro, as ruas vão se encher e isso incluirá manifestações políticas.

Não espere-se do governo Bolsonaro o enfrentamento político leal, no campo da opinião. Bolsonaro não é desses, é um colocador de bombas em latrinas, episódio que levou ao fim de sua carreira militar e sua entrada na política extremista.

Os generais medíocres que esperavam fazer dele o “cavalo” para a volta ao poder estão todos devidamente encilhados e prontos para ser montados para percorrerem a rota do desastre.

 

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