Bolsonaro veta representação do Brasil na posse de Fernández

Nem mesmo a presença da insossa figura do Ministro da Cidadania, Osmar Terra, representará o Brasil na cerimônia da passagem de cargo de Maurício Macri para Alberto Fernández, novo presidente da Argentina.

O motivo, diz o jornal El Clarín, teria sido a presença, na comitiva de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, de dois deputados de esquerda – Paulo Pimenta, do PT, e Orlando Silva, do PCdoB. Havia, claro, também os líderes do MDB e do DEM. Haveria, com certeza, a presença do líder do PSL se, a esta altura, se soubesse quem é e que ele se dispusesse a ir.

Por mais otimismo que se tenha, está difícil não ver que a atitude brasileira sinaliza o fim próximo do Mercosul e o desmanche de qualquer política de sinergia entre Brasil e Argentina nas suas ações sobre as disputas comerciais no mundo.

Países que têm interesses e adversários comerciais comuns, como agora mesmo se viu quando da ameaça de Donald Trump em sobretaxar amos, para beneficiar os farmers norte-americanos, incomodados com nossas exportações de grãos e de carne.

É difícil saber o que se passa na cabeça miúda de Bolsonaro, talvez a ideia de que ressuscitar a antiga e insensata rivalidade Brasil x Argentina, tão cara aos militares de um século atrás.

O fato objetivo é que o Brasil perde um aliado e ganha um adversário na casa ao lado. E mesmo onde há um presidente “amigo”, como no Chile e, daqui para a frente, no Uruguai, Bolsonaro nos faz não sermos mais bem-vindos.

Como andamos assim também na Europa e Trump nos trata como cachorro vadio, onde vamos buscar negócios?

Imagine se fosse um governo de esquerda que nos colocasse, como este o faz, exclusivamente dependentes da China?

 

 

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