Bolsonaro vai ter de entregar alguma rapadura ou adeus, reforma

As notícias que chegam de Brasília indicam que a liberação de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares impositivas não deu nem para “tapar o buraco da cárie” da sede dos parlamentares.

Hoje, depois de uma tumultuada instalação da Comissão de Constituição e Justiça, vários deputados do Centrão deixaram bem claro que, antes do envio do projeto da aposentadoria dos militares, nem o cronograma de funcionamento da comissão andará.

Muito maneiroso, o deputado fascistóide que foi eleito para a Presidência, Felipe Francischini, ainda procura dar a esperança de que a tramitação respeitará a oposição. Veremos, quando as coisas começarem a esquentar, com o pedido feito por Alessandro Molon para que o ministro Paulo Guedes compareça à comissão,

Não se tenha ilusão sobre a vitória do governo na CCJ. Ela é certa, mas não será rápida ao ponto de evitar que a tramitação de fato da reforma, na Comissão Especial, só comece em abril. E que, portanto, só em junho – e no final do mês, no mínimo- o texto seja mandado ao plenário.

Ou mesmo julho, como já admite Rodrigo Maia.

O governo sabe que não existe possibilidade de que isso ande mais rápido, e não se ajuda com exigências de pressa.

Parece, porém, que vai continuar apelando ao discurso do “nós contra eles”, esquecido que não é no Twitter, mas nos dois terços da Câmara que está o “trend topics” da política.

Bolsonaro  parece não estar convencido de que não pode fazer um governo autônomo, na base de sua vontade exclusiva.

Talvez na esperança de que a estupidez intelectual que nos toma conta consiga ratificar a tese primária do “querer é poder”, trocando a negociação política e o entendimento pela teimosia da imposição.

 

 

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