Bolsonaro “toca reunir” aos fanáticos, sugere a Folha

Reportagem de Talita Fernandes, na Folha, aprofunda aquilo que mais cedo se disse aqui: o surto de agressividade de Jair Bolsonaro nas redes sociais pode ter relação com uma espécie de “tocar reunir” da parcela fanatizada que o apoiava inicialmente, na qual se detectou – não me perguntem com quais instrumentos – alguma deterioração depous de 65 dias de governo.

(…)a primeira identificação de dissidentes se deu em fevereiro, no processo de fritura pública do ex-ministro Gustavo Bebianno, demitido por Bolsonaro após ter sido chamado por ele pelo Twitter de mentiroso.
O monitoramento das redes mostrou que apoiadores viram no processo de desgaste do ex-ministro, que foi um dos principais aliados do presidente na campanha, um sinal de deslealdade de Bolsonaro.
Após a Folha revelar um esquema de candidaturas de laranjas, Bebianno passou quase uma semana pendurado no cargo após ter sido chamado publicamente de mentiroso pelo presidente.

Quem, por dever de ofício, acompanha diariamente o que se passa no campo da direita, não deixou de parceber que núcleos do fanatismo, como aquele site a que sempre me refiro como O Bolsonarista tiveram várias vezes de fechar a área de comentários por conta da verdadeira autofagia que ali se estabeleceu. E outra vez com a baixaria em torno da morte do neto de Lula e, de novo, ontem, com o vídeo escatológico.

Bolsonaro já não reúne “apoio externo”aos seus grupos. Para a mídia, tornou-se repugnante assumir até a leve simpatia que se tinha sobre ele ser o viabilizador da refroma da Previdência e do desejado desmonte do que tínhamos do vestígios, ainda, de uma Estado de proteção social.

Até Merval Pereira diz que seu comportamento não é de “uma pessoa séria” e que foi uma reação de “vingança pessoal” contra as manifestações dos blocos carnavalescos contra ele. Convenhamos que um presidente de direita não ter o apoio nem de Merval é algo sério.

Não achem que Bolsonaro está agindo apenas por seu destempero pessoal.

Ele está remobilizando suas falanges e contando que o núcleo militar vá permitir que o faça impunemente.

Resta saber se, desta vez, funcionará o “não me deixem só” precoce.

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