Bolsonaro quer a paz?

Jair Bolsonaro vai, diz ele, “jogar pesado” pela aprovação da reforma previdenciária.

Dizer se funcionará é algo que depende daquilo que o presidente chama de “jogar pesado”.

Se for pressionar os deputados, a esta altura, não funciona. Mas conversa mole, também não.

Bolsonaro aparentemente perdeu o seu trunfo, que era a disposição de Rodrigo Maia, caninamente pró-reforma, articular com os partidos do Centrão. Atacou-o e fez suas redes atacarem-no em tal grau que Maia recuou deste papel e, ainda agora, com a trégua, não vai vesti-lo outra vez da mesma forma.

O resultado é que ele terá de fazer um “varejão”, recebendo separadamente  Marcos Pereira (PRB), Ciro Nogueira (PP), Gilberto Kassab (PSD), Romero Jucá (MDB) e ACM Neto (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB), acompanhado dos líderes de cada partido na Câmara e no Senado.

Conversas assim, de carreirinha, do tipo “consultório médico” não costumam render. Até porque falta quem lhes possa dar continuidade prática – os tais “espaços no governo” – porque Ônyx Lorenzoni já criou a fama de não entregar o que promete e o líder do Governo, Major Vitor Hugo, nem é levado a sério.

Além disso, há o medo de que aconteça, sem o aviso que se mostra nos filmes policiais ao se dizer que “você sabe que tudo o que disser poderá e será usado contra você”, o uso das conversas para desgastar mais ainda os parlamentares.

Daniela Lima escreve no Painel da Folha:

O encontro entre Bolsonaro e os dirigentes partidários se dará em clima de desconfiança. Ninguém está disposto a chegar dando conselhos ou apresentando demandas ao presidente. Temem que ele faça o que fez com Maia, e, após a conversa, diga estar sendo “pressionado pela velha política”.

Ontem, ainda em Israel, o presidente narrou aos convidados como os paraquedistas faziam a verificação final dos equipamentos, antes de pularem do avião: como o paraquedas estava às costas, cada um examinava a mochila do outro.

Depois dos episódios de traição e abandono destes três primeiros meses de governo, você acha que os deputados vão acreditar quando Bolsonaro lhes disser que podem pular em decisões impopulares que ele garante que não vão se esborrachar?

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