Bolsonaro precisa da mídia e do ‘neocentrão’. De início, terá

Ninguém fique achando que as dificuldades previstas pela Folha, hoje, ao informar que Jair Bolsonaro não conta nem com a metade dos 513 deputados da nova legislatura e que, portanto, está a léguas de formar maioria para aprovar leis e a anos-luz de poder reformar a Constituição.

Diz levantamento do jornal que, ouvidas lideranças partidárias, conclui-se que o novo governo terá 229 deputados a acompanhá-lo em sua pauta econômica – ainda que não se saiba o que ela inclui, nem mesmo em matéria de privatização.

Terá mais, não apenas porque esta é uma tendência de governos que se instalam – e, por isso, preenchem cargos que rendem apoio parlamentar –  porque o ano legislativo certamente já se iniciará sob a pressão do punitivismo moralista de Sérgio Moro.

É cedo para prever o quão será forte este apoio, embora seja possível imaginar um encolhimento ainda maior dos ex-gigantes PMDB e PSDB e, talvez, rupturas no DEM, onde boa parte não quer nem mesmo a “semi-autonomia” com que sonham figuras como Rodrigo Maia e ACM Neto.

Não se sabe o quanto Bolsonaro, que começa hoje uma série de encontros com os partidos que, até agora, “esnobou”, está disposto a jogar pesado na eleição do presidente da Câmara. A tendência é de que não o faça, pois se sujeita a receber uma derrota como sinal do “queremos mais” dos deputados, inclusive dos da chamada “bancada evangélica”.

Também há problemas na “oposição”, onde é grande a tentação de seguir-se a linha idiota do “o PT precisa fazer autocrítica” como desculpa para o divisionismo e o adesismo à direita. Também não há, no campo da esquerda, lideranças que possam imantar as bancadas.

Minha intuição é de que está aberto o caminho para a formação de um “neocentrão”, mercadoria fluida e capaz de se autovalorizar, de boca aberta a esperar o momento em que o presidente eleito terá de descer do palanque e baixar ao pantanoso terreno da política real que, como se sabe, enlameia gente muito mais “limpinha”.


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