Bolsonaro, o real e os factóides

É fato que Jair Bolsonaro toma medidas que fazem muito mal ao país, sobretudo em retirada de direitos, desmantelamento dos serviços públicos e na entrega de nosso patrimônio e soberania.

Mas, quanto a isso, não há a grita generalizada dos meios de comunicação que ocorre quanto às barbaridades com que, diariamente, tenta (e consegue) manter-se à crista do noticiário.

Suas expressões grosseiras e grotescas, sabe ele, provocam furor e potencializam a parcela estúpida da sociedade que perdeu todo o sentido de Nação e de coletividade.

Ele sabe que a elite brasileira pode se chocar como o “cocô dia sim, dia não” saído da boca presidencial, mas não se choca com a entrega dos campos de petróleo e da Petrobras, dos centenários Correios, da Base de Alcântara, ou com a destruição do sistema público de ensino superior.

Bolsonaro tem – e todas as pesquisas o indicam – adesão maior nas parcelas mais ricas e formalmente educadas da população porque desapareceu – ou quase – entre elas as que tenham a ideia de um grande país, mas apenas a de ter as ricas migalhas gordas e um grande pobre país.

Há muitas camisas verde-amarelas, muita patriotada e pouco patriotismo.

E o ex-capitão lhes dá um mandatário que nada de braçada do senso comum da ignorância, que reduz os problemas nacionais a políticos corruptos (todos), funcionários “marajás”, pobres vagabundos e indolentes e bandidos favelados.

Ao contrário dos demais políticos da direita tradicional, tem defensores nas portas de botequim, de padaria e em seu sucedâneo, as academias de ginástica.

Não lhes importa que o governo não tenha política econômica, industrial, educacional, habitacional, cultural ou de qualquer outra ordem.

Basta-lhes que o governo lata alto e forte, ainda que sem morder, mostre-se feroz, iniba o descontentamento até porque tem com ele a força incontrastável dos militares, aqueles que Dias Toffoli usou como argumento jurídico, os “300 mil homens armados”.

De fato, a sigla “EB”, de Exército Brasileiro, foi transformada, com o apoio de uma camada medíocre de generais em Exército de Bolsonaro.

A questão, porém, permanece: este país pode funcionar sem rumos, sem direção, sem politicas de governo, sem um projeto de desenvolvimento, que gere inclusão, emprego e atividade econômica?

Como não pode, não no médio prazo, é preciso exorcizar a ideia de que governo deve ter esta finalidade.

Ou, ao menos, mantê-la encarcerada.

 

 

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