Bolsonaro e a hora de desagradar

Não se sabe se já será anunciada hoje, na primeira reunião da trupe ministerial, a proposta de reforma previdenciária.

O Globo, porém, antecipa o que  seriam as medidas propostas e, na essência, uma versão ampliada do projeto de Michel Temer que a gravação de Joesley Batista congelou.

As coisas são ainda muito vagas para que se possa analisar, mas é evidente que algumas coisas estão sendo postas apenas para que possam ser retiradas, como a proporcionalidade do  Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago aos 65 anos a idosos e deficientes da baixa renda para 50% ou 60% do salário mínimo, o que não passa nem neste Congresso.

A crueldade é grande e o efeito financeiro, pequeno.

A história das pensões proporcionais vai, de novo, dar panos para manga. E o tratamento diferenciado aos militares, neste governo, terá um sabor corporativo muito maior. Reduzir o ganho das castas privilegiadas, especialmente juízes e promotores, depois de terem arrancado um naco de 16% de aumento, parece ser missão mais difícil do que a da sonda espacial chinesa que pousou do lado escuro da Lua.

O projeto, se sair, sairá para ser depenado nos próximos meses, em busca de uma aprovação de “qualquer coisa”, pois o governo não pode se dar ao luxo de ser derrotado.

Até Míriam Leitão, defensora do caminho mais selvagem para a reforma diz, hoje, que Paulo Guedes errou em já colocar que, no caso de derrota, cortaria as verbas parcas da Saúde e da Educação:

“Na hora de explicar como resolver [o déficit público], Guedes cometeu um deslize político. Disse que a reforma da Previdência será enviada [ao Congresso], mas se não for aprovada será mandado o projeto de desindexação de despesas. Na verdade, as duas reformas são importantes, a previdenciária e a orçamentária. Um ministro da Economia não pode dizer que sabe o que fazer se a reforma da Previdência não for aprovada. Simplesmente não pode considerar essa possibilidade de derrota, porque ela seria desastrosa demais.”

Tem que dizer que o país vai quebrar, nunca menos.

Pé atrás, fingindo que acredita, também ficou o mercado com a promessa de cortar para 20% do PIB a carga tributária. Simplesmente não acontecerá, com um governo que já nem tem para fechar as contas abrir mão de um terço de suas receitas.

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