Bolsonaro deve moderar-se na ONU. Ainda assim, será um fiasco

Descreio, como quase todos, que Jair Bolsonaro vá fazer um discurso de aberta confrontação ao falar na Assembléia Geral da ONU, na terça-feira.

Não porque não esteja querendo, mas porque não está podendo.

Claro, em se tratando de Bolsonaro e sua entourage olavista e augustohelenista, não se pode descartar um surto de bobagens.

Mas – tenho repetido – Bolsonaro é tosco, mas não é burro.

Já chegaram a ele informações – algumas até publicadas – de que a situação do Brasil é de extremo desgaste na comunidade internacional e, no seu inglês hamburguês, até o filho embaixador deve ter-lhe dito para “segurar a onda”.

A fala, não esperem nada diferente, será um amontoado de platitudes sobre soberania, sobre estarmos combatendo incêndios e e desmates, sobre ter mobilizado as Forças Armadas para isso. E outras, como sermos, agora, um país “sem ideologia”, uma democracia perfeita, com instituições e imprensa livres, etc…

Nada, portanto, a “causar”, exceto o que disse ao admitir que o ex-capitão não é burro, mas é tosco.

Não serão os seis minutos gaguejados no Fórum de Davos, onde o assunto eram negócios.

São 20 minutos de tatibitati, o texto formal lido de forma infantilizada, com a hesitação de quem não crê no que lê e por isso incapaz de ênfases, sem as risadas patéticas que aliviam sua tensão, sem as arminhas que lhe servem de expressão corporal.

Serve, porem, para o consumo de seus apoiadores que, afinal, verão, perante o mundo inteiro, proclamado: Brasil acima de tudo, Deus acima de tudo”.

 

 

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