Bate-boca Doria x Bolsonaro é o retrato do desgoverno do Brasil. Veja

A reunião entre Jair Bolsonaro e os governadores o Sul e do Sudeste rendeu o que se sabia ia render: um espetáculo deprimente de vaidades e intransigência entre ele e o governador de São Paulo.

Tudo foi construído para isso, a começar do patético discurso (em tatibitês) de ontem, em rede de televisão.

Alguém que quisesse um mínimo de união de esforços falaria depois de conversar com os governadores.

É o velho e sábio ditado da política de que reunião se faz quando tudo já está decidido.

Falar que as pessoas deveriam voltar às ruas e às escolas, contrariando expressamente as deliberações de todos os estados brasileiros teria, é certo, uma reação.

Dória, um oportunista contumaz, chamou para si esta reação e, com ela, fez a provocação que Bolsonaro esperava.

E ele veio fazendo jus ao apelido de “Cavalão” que tinha quando cadete.

Descambou para o eleitoralismo, chamando Doria de “leviano” e “demagogo”, disse que ele “se apoderou” de seu nome nas eleições e falou que “subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente da República” e que não tinha “estatura moral” para criticar o Governo Federal.

É tudo o que o país não precisava agora, a divisão completa de suas autoridade e um clima que impede até de se falarem.

Uma reunião com os ministros, do ponto de vista de sua eficácia – que é o que nos interessa agora – teria sido muito melhor.

Mas quem faz política às custas do medo e da morte das pessoas tem prazer nestes momentos de telecatch dos governantes.

Para a população, em nome da qual os dois estão onde estão, é apenas deprimente e apavorante.

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