Barroso e sua suprema hipocrisia

A manchete da Folha, neste domingo, relatando que a seguradora-líder, responsável pela gestão do DPVAT, fez pagamentos ao escritório de advocacia do ministro Luís Roberto Barroso e ao que o sucedeu formalmente, chefiado por seu sobrinho não narra, em princípio, crime, embora dê margem a óbvias suspeitas de tráfico de influência no STF.

Suspeitas, mas não certezas.

Não deixa de ser curioso, porém, imaginar-se como agiria, em relação a outro advogado, o ministro Luís Roberto Barroso.

Qualquer um que o tenha visto pavonear-se como príncipe da ética é capaz de imaginar o que sua Excelência faria e diria sobre o que chamaria de “patrimonialismo” e “promiscuidade” no serviço público.

Nos milhões que teriam ido engordar riquezas pessoais, enquanto as criancinhas morrem de fome e abandono e no elogia das “boas práticas corporativas”, como se os negócios empresariais alguma hora as tenham tido.

Ah, que espetáculo de glória do homem puro, vestal togada que não perde chance de se proclamar o campeão da pureza!

Já dá para imaginar, quando ( e se) o caso do seguro contra acidentes veiculares for a plenário a troca de dardos envenenados entre ele e Gilmar Mendes, seu mais frequente alvo nas sessões televisadas do Supremo, que, com estas e com outras, vai esgarçando sua imagem pública.

Ao ponto que a famosa frase de Bismarck sobre a obscenidade da fabricação de salsichas e de leis terá, logo, de ser remendada para incluir no horror as decisões judiciais.

Enquanto, do lado de fora (e já também nos corredores das cortes), o tropel do fascismo avança em nome da moralidade.

Comentários no Facebook