Bandidos, à luz do dia

A foto de capa do Estadão é um retrato do que se tornou a política no Brasil.

O que era antes apenas um quisto, a bancada dos “justiceiros”, agora está no comando do parlamento e, em boa parte, do país.

Este sujeito, o tal Delegado Waldir, que é líder do partido de Jair Bolsonaro, é um personagem impensável em qualquer regime democrático, andando armado (ou mesmo com um coldre que, vazio, ainda adverte do que pode have ali) é algo impensável em qualquer regime democrático.

Se a foto é um retrato da intimidação, sua entrevista a Luiz Macklouf Carvalho é uma exposição quase tão assustadora quanto a de sua pistola .380 e carga de 19 projéteis. Porque os disparos que faz contrao próprio governo são mesmo de grosso calibre:

“Rodrigo Maia é o primeiro ministro. Se a reforma da Previdência passar, é mérito dele”.

“Pessoas que querem dizer que ele [Jair Bolsonaro] tem 308 votos aqui, e ele não tem. Não tem 200 votos. Ele tem, estourando, 100 votos.

“O governo quer [como líder] alguém que seja manipulado, e eu não sou manipulável.(…)Não. Eu tenho uma força, eu tenho cartas na manga. Seria bom um deputado como eu na oposição ao governo Bolsonaro? Um deputado de dentro da Casa, que conhece os segredos da Casa?”

Em condições normais, claro, este personagem não poderia ser o líder de um partido no governo, com responsabilidades sobre o que está sendo proposto ao parlamento.

Mas este país tornou-se uma república de bandidos e eles já não tem o menor pudor em exibir suas armas à luz do dia.

Nem que elas sejam só um coldre vazio.

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