Ao contrário do que diz Mourão, peça central da política hoje são os militares

Hamilton Mourão apareceu para colocar mais uma colher torta no caldo turvo das reações do governo a uma manifestação do Supremo que, afinal, nada mais diz que o óbvio: que não é atribuição das Forças Armadas serem as moderadoras de conflitos entre poderes da República.

Dizer que “não tem general fardado metido com política” é uma tolice, porque o generais não só não ocupam quase todos os cargos no núcleo do governo quanto estão lá não por participação ou representatividade política, mas por terem estado à frante de postos do Exército que lhes conferiam autoridade e ascendência sobre os oficiais da ativa.

Está em curso um evidente emparedamento sobre o Poder Judiciário para blindar Jair Bolsonaro de processos judiciais. Por extensão, também seus filhos, criando uma espécie de trincheira militar para abrigar o clã presidencial. E o que forma esta parede é a ameaça de usar o Exército como escudo para um grupo que, como qualquer cidadão, tem de responder por aquilo que eventualmente fizeram.

A Folha registra um constrangimento de oficiais que consideram que “as Forças foram [Armadas] colocadas como uma extensão do bolsonarismo militante”.

É difícil para qualquer civil avaliar o que se passa no meio militar, mas a insistência de Bolsonaro e seu grupo em “esticar a corda” é sinal de que estão longe de contar com unidade em torno de um projeto golpista.