Ainda é “normal”, Dr. Moro, a sua “ação entre amigos”?

Não é preciso detalhar aqui os diálogos revelados nesta nova leva de transcrições do The Intercept, agora em parceira com a Folha de S.Paulo.

As conversas, constrangedoras, dispensam o trabalho de serem avaliadas sobre se isso é ou não um “relacionamento normal” entre juiz e promotores.

Até articulação política com o Movimento Brasil Livre, o do Kim Kataguiri, Sérgio Moro pede que Deltan Dallagnol faça, para “amansar” as agressivas manifestações diante da casa do mhje falecido ministro Teori Zavascki. do STF, que tivera a “ousadia” de proferir uma decisão contrária ao “deus” de Curitiba.

Mais nada é necessário para comprovar que formavam, Moro e promotores, uma quadrilha para violar o andamento normal de processos judiciais.

Mais nada, embora muito ainda vá surgir neste mar de lama a conta-gotas que vai aparecendo.

Afora do bolsonarismo explícito, não haverá de onde mais possa surgir condescendência com as violações praticadas nos processos de Curitiba, ainda que contra Lula, muitos estejam dispostos a tolerar transgressões.

Mas não além de certos limites, os que não os coloquem em risco de serem apontados diretamente como cúmplices.

É, também, algo importantíssimo que um grande jornal brasileiro tenha entrado na questão e subscrevendo, ainda que isso não fosse necessário, o trabalho de investigação da equipe de Glenn Grenwald.

A história do hacker, não só duvidosa quanto irrelevante jornalisticamente frente ao que está sendo revelado, recebeu um golpe mortal com esta parceria.

Nós, jornalistas, deveríamos aplaudir de pé a atitude do The Intercept, que percebeu que o que tinha nas mãos transcendia a capacidade de um valente site de reportagens levar adiante o combate pelo conhecimento da verdade, como eles proprios dizem, ao explicar a parceria:

Nós sabemos que não é comum que os jornalistas compartilhem seus mais importantes furos com outros meios de comunicação, preferindo reportá-los por conta própria. Mas nós vemos o arquivo fornecido por nossa fonte como um bem público crucial, que pertence ao povo brasileiro, não apenas a nós.
Decidimos compartilhar esse material com outras redações e jornalistas – e hoje anunciamos a Folha – porque nossa prioridade é informar o público da maneira mais confiável, justa e completa sobre o que esses funcionários públicos – que até ontem movimentavam um grande poder nas sombras – faziam quando acreditavam que ninguém jamais descobriria suas ações.

Nos próximos posts, vamos tentar ampliar o contexto e o alcance de cada um dos momentos de promiscuidade revelados.

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