Ágatha, 8 anos. Nem a primeira nem a última morte de uma guerra perdida

Morreu esta madrugada a menina Ágatha Félix, atingida nas costas por um tiro de fuzil, na noite de ontem, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, dentro de uma Kombi de “lotação”.

Haverá comoção, reportagens dramáticas, pais e parentes revoltados, às lágrimas, como é humano frente a algo tão desumano quanto matarem uma criança de 8 anos, como ela.

Mas o sacrifício de Ágatha, infelizmente, durará tanto quanto as antiga e famosa “rosa de Malherbe”. Durará, como duram as rosas, uma breve manhã, escreveu um poeta francês, para consolar um amigo pela morte da filha.

Mas a guerra que a matou, logo, logo, vai se retomar, com o resultado que tem há 30 anos: terror, morte e dor, como a do avô da menina, Aílton Félix:

— Quem tem que dar informações é quem deu o tiro nela. Matou uma inocente, uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro. Cadê o policiais que fizeram isso? A voz deles é a arma. Não é a família do governador ou do prefeito ou dos policiais que estão chorando, é a minha. Amanhã eles vão pedir desculpas, mas isso não vai trazer minha neta de volta.

O Complexo do Alemão já teve milhares de operações policiais, várias ocupações pela PM e até militares das Forças Armadas – desde os anos 90. A maior delas durou anos, a partir de 2010 e nem é preciso dizer o quanto foram, além de brutais, inúteis.

E a razão é simples: armas e drogas, tudo isso dá lucros. Não apenas aos traficantes, mas a pliciais e ex-policiais enfiados até o pescoço no tráfico de ambas.

E há outros lucros, os políticos. Desde a gratificação “faroeste” de Marcello Alencar – pagando mais ao PM que matasse mais – ao “mirar na cabecinha” de Wilson Witzel, os dividendos da “guerra” sempre renderam muito aos governantes que se promoviam e se promovem com o combate que sabem cruel e perdido.

Não lhes importa, o que importa é que a estupidez triunfe.

 

 

 

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