Acordo para vacina é 1ª boa notícia na pandemia

Deve ser saudada – e muito – a decisão do Brasil de investir na possibilidade de que a vacina criada pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, através da Biomanguinhos, braço industrial da Fundação Oswaldo Cruz, há décadas uma ilha de excelência da pesquisa em Saúde no Brasil.

Não é procedente o argumento de que a vacina não chegou a ter a sua eficiência plenamente atestada e, possivelmente, não a terá mesmo depois de poder ser aplicada maciçamente na população, porque isso levará um ano ou mais, até que se verifique, na prática, que ela impede a contração da doença.

O importante é que se conclua que, nos testes, ela foi capaz de gerar produção de reações ao vírus, ainda que registrada, basicamente, em estudos clínicos. Ainda que a cobertura de imunização seja parcial – e em vacinas muitas vezes é – não apenas salvará muitas vidas como anteciparia a tão falada “imunidade de rebanho”, porque cria um bloqueio à transmissão, mesmo com eficácia de 70 ou 80%.

O investimento de pouco mais de US$ 30 milhões (R$ 165 milhões) para a ampliação das instalações industriais da Biomanguinhos não serão dinheiro perdido, ainda que os estudos acabem com resultados negativos, porque os equipamentos podem ser aproveitados em outras linhas de produção de vacinas.

Além do mais, prejuízo maior seria ter de esperar três ou quatro meses, havendo efetividade da vacina, perdendo vidas às centenas ou ao milhares, enquanto se preparam as instalações são preparadas.

É, também, uma lição aos que desprezam a capacidade de que o Estado brasileiro seja, como sempre foi, o responsável pelas pesquisas em tecnologia, porque só poderemos ter resultados positivos. A experiência de 120 anos da Fiocruz, que nasceu como Instituto Soroterápico Federal para produzir vacinas contra a peste bubônica, a malária e a varíola, é essencial para que o país possa participar do desenvolvimento de bloqueios a doenças novas e mortais , como a que temos agora.

Investimento em ciência, mesmo sem a certeza total sobre o resultado, nunca é risco, pelo que ele gera em capacidade e condições de progresso. Não é para ser gerido por uma contabilidade simples e rasa, que ignore o quanto ele habilita um país.

 

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