Acordo com Maia é início de fato do governo Bolsonaro

Se o discurso ontem era o de campanha e o da covardia contra os mais fracos será do cotidiano do governo Bolsonaro, ele deu hoje o seu primeiro passo na política.

O anunciado acordo para apoiar Rodrigo Maia à Presidência da Câmara é um passo grande na realpolitik parlamentar, em contraponto à mixórdia demagógico eleitoral de que romperia com a “velha política”.

O acordo com Maia, certamente o favorito para presidir a Câmara é, porem, apenas um movimento sem qualquer garantia. ainda mais porque salvo exceções, os partidos tornaram-se piadas.

.Os 52 votos do PSL se somam a ele, mas terá de fazer malabarismos para evitar que outros, em maior número, debandem.

Ao menos um deputado importante da aliança com que PSB, PDT e PCdoB (69 deputados ) atuam na Câmara, o líder do PDT, André Figueiredo, disse que a aliança Maia-PSL é um fato novo inesperado e admitiu rediscutir a posição que tinham de apoio à reeleição Com os 56 votos do PT e uma dezena do PSOL, abre-se espaço, se não apoiarem Maia, para candidatos avulsos que representem interesses essencialmente corporativos, como está fazendo Fábio Ramalho, em campanha há meses, defendendo o reajuste dos subsídios dos parlamentares e, como sempre, se promovendo com sua fama de festeiro.

Os 192 votos que obteve, em primeiro turno, na eleição para a vice-presidência da Câmara (e depois, no 2°, 265, derrotando o então candidato de Temer, Osmar Serraglio) não são desprezíveis.

Há exatos 30 dias até a eleição das mesas da Câmara e do Senado. Muito tempo para deputado ficar tomando chá de cadeira e se alimentando de “vem comigo que depois a gente resolve”.

E todos eles sabem que o que está em jogo é a reforma da previdência, que mexe com interesses extra-ideológicos.

Mas não se iludam: se Bolsonaro conseguir dominar seu lado furiosamente demagógico, o parlamento desqualificado e conservador eleito em outubro tende a dar-lhe suporte.


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