A vergonha de um parlamento que não fala, atropela

De quinta-feira para cá, acionou-se o rolo compressor da maldade.

Não há mais divergências, não há mais negociação .

É aprovar a reforma, seja lá como for.

Nem a categoria “sagrada” dos policiais.

Muito menos os professores, que todos dizem ser a prioridade.

Vão combater os privilégios, como se os privilegiados, neste país, não tivessem acumulado patrimônio e capital que os fizesse depender de R$ 2 mil ou R$ 3 mil do INSS.

É a reforma contra os privilegiados que é apoiada pelos privilegiados…

Vão combater as aposentadorias precoces fazendo alguém ter de conseguir contribuir durante 40 anos, para não ser taxado com uma redução abrupta de sua renda modesta, com cortes cruéis em aposentadorias que pouco passam do salário mínimo.

Não é que o brasileiro não queira trabalhar e a maioria trabalha, de fato, até os 65 anos ou até mais. Mas ele perde a garantia dos proventos que lhe dão segurança e, pior, perca parte do parco ganho a que teria direito.

Nenhuma consideração sobre as dificuldades do trabalhador de maior idade, num quadro de desemprego, em seguir trabalhando formalmente e contribuir até os 40 anos para perder apenas pouco?

Não há debates, não há acordos, não há compensações.

Há a ordem unida.

De quem a ordem? Do mercado, do capital, daqueles que retiram do Orçamento público, em um ano, metade do trilhão tão desejado por Paulo Guedes.

Gente que nunca disse a seus eleitores que lhe tiraria os direitos de aposentadoria e que, como no impeachment de Dilma Rousseff, imbecis gritam que é “pelas crianças, pelos meus netos”.

Qual! É por eles próprios, pelas polpudas verbas com que, descaradamente, querem se eleger com pequenas obras em municípios do interior, que são nada perto do que deles se retira reduzindo a renda dos aposentados, dos quais dependem estas comunidades para sobreviver.

Pode-se tirar das viúvas, dos órfãos, dos que se aleijaram no trabalho, dos que adoeceram, mas não é possível tirar de quem embolsa lucros e dividendos, não é possível tirar das petroleiras que vêm sugar nosso pré-sal, não é possível tirar de quem herda milhões.

Amanhã, é certo, aprovarão a essência da reforma, que é tirar dos humildes. depois se digladiarão para tirar dela categorias que são suas bases eleitorais.

Também no Legislativo, o Brasil é governado por gente canalha, que tem desprezo pelo seu povo.

Comentários no Facebook