“A verdade é o que eu digo” e dane-se a pesquisa sobre os fatos

Quando se escreveu ontem aqui que o bolsonarismo era a negação da realidade e sua substituição pelas “verdades ideológicas” da extrema-direita não se estava brincando.

Hoje, noticia O Globo, o ministro da Cidadania (?!) diz orgulhosamente que mandou engavetar uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz sobre o uso de drogas, que mobilizou 500 pessoas para realizar, com 16 mil entrevistas, um mapeamento da incidência e das características do consumo de drogas no país.

Seus resultados não podem ser contrariados porque, supostamente, contradizem o estudo “científico” feito pelo próprio Osmar Terra: “Eu andei nas ruas de Copacabana, e estavam vazias. Se isso não é uma epidemia de violência que tem a ver com as drogas, eu não entendo mais nada. “.

É provável que não entenda mesmo, sr. Osmar.

O argumento que invoca a seu favor é o de “perguntar a mãe” de um jovem adicto de drogas se há ou não uma epidemia é de uma evidente manipulação. É evidente que as possíveis causas externas estarão na frente de qualquer avaliação sobre causas familiares, educacionais, existenciais e tudo o mais. Não só com drogas, isso é velho como as traquinagens de moleques, sempre apontadas como resultado das tais”más companhias”.

Terra pode ter a opinião que tiver, mas não pode ocultar um trabalho científico e impedir o acesso a informações que foram, afinal, produzidas com dinheiro público.

O festival de besteiras, porém, prossegue.

O Ministro diz que “não confia” na Fiocruz, uma instituição científica de 119 anos, mundialmente reconhecida, porque, segundo ele, ela teria “um viés ideológico de liberação das drogas” e a acusa de ter feito uma montagem para criar dados falsos.

— É uma pesquisa baseada em algumas cidades. Na prática, fala que o número de pessoas que usam drogas é pequeno. É uma metodologia que eu não usaria, uma opinião de quem é do ramo. Na minha opinião, as pesquisas da Fiocruz estão sendo montadas para provar que não tem epidemia (de uso de drogas no Brasil). Agora, anda na rua no Rio de Janeiro e vê a quantidade crescente de pessoas se drogando nas ruas. 

Vai na mesma linha do outro energúmeno, o da Educação, que acha que as universidades se prestam a andar pelado, fazer balbúrdia e fumar maconha.

A ignorância está no poder, é preciso enfrentá-la.

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