A retórica vazia dos idiotas

O senhor Gustavo Bebianno, cuja contribuição à vida pública, ao que se sabe, aos 55 anos de idade, limitou-se a oferecer seus serviços à campanha de Jair Bolsonaro, tomou posse como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República fazendo de tudo para expor a sabujice às ignorâncias do chefe.

Disse, em seu discurso de posse, que tudo fará para que “o amor à nossa Pátria seja resgatado, amplificado [sic] da mentalidade bolivariana que insiste em ameaçar democracias na América do Sul”.

Bebianno o que sabe melhor sobre  Simon Bolívar é que é nome de rua em Copacabana.

Não deve saber que ele – que morreu em 1830, quando Karl Marx tinha apenas 12 aninhos – de comunista nada tinha.

Não deve saber, também, que foi o responsável pela independência de muitos países  do continente: Venezuela, Colômbia, Peru, Equador e o Panamá, agora América Central.

Em todos eles é um herói nacional.

No centenário de sua morte a Time, em 1930, o chamou de “George Washington da América do Sul”. Até selo em sua homenagem os Estados Unidos lançaram.

Ideologicamente, Bolívar é apenas símbolo de uma mentalidade anticolonial, como foi a dos “pais fundadores” dos EUA, tão admirados pelos bolsonaristas.

E um ardente adversário do fracionamento das nações, como aconteceu na América Espanhola e não aqui, em grande parte pela ação do Exército (sr. Bebiano, leia sobre Caxias, o Duque, que não é só uma cidade da Baixada).

“Mentalidade bolivariana” quer dizer o quê? Defender a identidade latinoamericana? A independência nacional?

Mas Bebianno, cuja turma de jiu-jítsu já frequentou muito Copacabana, de Bolívar, sabe que fica entre Barão de Ipanema e Xavier da Silveira e vai da Avenida Atlântica e a Pompeu Loureiro.

Por enquanto, porque são capazes de mudar o nome da rua, que sabe para Olavo de Carvalho?

Comentários no Facebook