A República na delegacia

O pedido de Celso de Mello à Procuradoria Geral da República para manifestar-se sobre a apreensão do telefone celular provocou a mais grave ameaça de ruptura institucional já vivida no país desde os tempos da ditadura.

E não caiu do “céu” – ou do inferno, como prefiram – mas faz parte de uma pressão para que Celso de Mello divulgue nada ou o mínimo sobre a reunião ministerial que, em vídeo, espera a decisão do decano para ser conhecida.

Poderia ser – e provavelmente seria – rejeitada pelo Ministério Público, daqui a alguns dias, salvo se o conteúdo do vídeo – que está para ser, ao que parece, revelado – trouxesse algo novo além das barbaridades que já são sabidas.

Mas a reação brutal do General Heleno – segundo as notícias – não é um recado desaforado à PGR, mas ao STF.

Ao dizer que isso “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. Heleno ameaça sem nenhum rebuço o Supremo de uma desobediência que, é claro, terminará mal para o poder desarmado.

Ou que o cabo e o soldado imaginados por Eduardo Bolsonaro podem ser acionados.

O golpe – ou a tentativa fracassada de um – está cada vez mais presente no horizonta e já não no longo prazo.

Veremos, em alguns minutos, o quão longe o STF está disposto a ir na investigação sobre Bolsonaro e seu clã.

Mas se for, vai devidamente advertido, pelo imediato golpista do presidente, Augusto Heleno, e seu alto comando palaciano – que usurpa a função de falar pelas Forças Armadas – de que já não há nenhum ressabiamento em propor a quebra da legalidade.

A República, em meio ao caos, está indo parar na delegacia.

 

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