A pressa em matar a vida civil e seus riscos

A autora da frase poso citar porque não corre o risco de ser chamada de “esquerdopata”: Dona Maria Maluf, que muitos anos atrás, disse que “não se depena a galinha ainda viva”.

O coronel civil da campanha de Jair Bolsonaro, o advogado Gustavo Bebiano adiante hoje a O Globo o “ministério” de um futuro governo – que não se ganhou ainda – no qual, além dele próprio, haverá “quatro ou cinco generais”  entre as 15 pastas a que o candidato pretende reduzir a administração.

Nada contra os generais, que vão se somar ao general-vice Hamilton Mourão. E, numa absoluta inversão hierárquica, o “capitão-presidente”

Embora todos, na reserva, estejam no direito de serem nomeados, é claro que, na prática, isso dará – aqui e no mundo – a feição militar ao governo assim estrelado.

E lançará, sobre uma instituição permanente do país, de novo o perigo da politização, cuja natureza é, por definição, transitória.

Nada poderia ter efeito mais deletério para as Forças Armadas.

De cara, abrirá um terreno de ambições e ressentimento entre as Armas,  pois nem a Marinha nem a Força Aérea se sentirão representadas no arranjo político, até porque a incorporação do tenente-coronel Marcos Pontes que, depois que voltou do espaço deixou a Aeronáutica e dedicou-se a uma agência de “turismo de aventura”,que vende pacotes para vôos  em caças, mergulhos de submarino e experiência de pilotar carros de Fórmula 1.

Sem demérito para o ex-astronauta, bem pouco para cuidar de projetos estratégicos, como a energia nuclear, sistemas de defesa eletrônicos e tudo o mais da tecnologia bélica sem a qual tropas viram apenas patinhos de tiro ao alvo, o que, é claro, ninguém deseja para os militares brasileiros.

Em segundo lugar, cria ambições de ocupar, pela condição de ex-militar, cargos na administração e na iniciativa privada e acende, dentro dos quartéis, a luz venenosa do “amiguismo” e do tráfico de influência. Afinal, tudo se torna “território a ser ocupado”,  passo natural e seguinte à conquista do espaço.

A geração de oficiais superiores é, hoje, quase toda posterior aos tempos dos governos militares pós-1964, exceção feita a alguns generais de máxima graduação, muito jovens ainda em 1985, marco final do regime. Sabem mais dos gritos de combate  do que dos gemidos de dor e dos sussurros impublicáveis.

Foram necessárias décadas de afastamento da política  para recuperar a imagem das Forças Armadas. Que, infelizmente, está sendo de novo amarrada ao um projeto político, com todos os riscos que isso traz.

 

 

 

 

 

 


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