A política da arrogância não termina bem

Numa reunião com o governador e deputados de Roraima, o sr. Paulo Guedes, ao intervir sobre uma discussão sobre indicados a cargos federais naquele Estado, disse aos parlamentares que que “se a negociação política continuar a ser feita com base na ocupação de cargos no governo “iam acabar parando lá no Sérgio Moro”.

É o “tigrão” em ação.

Não pode, portanto, reclamar que o presidente, ao declarar que aceita o corte de 30% do projeto, esteja sabotando a sua reforma previdenciária.

Até porque a oposição a ela não pode ser medida no “contra ou a favor”, como na Comissao de Constituição e Justiça.

Estão em jogo, na Comissão Especial, variáveis que podem, sem dar margem a acusações de que “querem quebrar o país”, podem qubras as pernas da economia de curto prazo (os próximos 4 anos) que interessam ao ministro da economia.

Além das questões do BPC, da aposentadoria rural e da capitalização, que chegam mortas à segunda fase de exame da PEC – e que, juntas, representam a perda de perto de R$ 137 bilhões do total de “economia” que se alcançaria – há outras extremamente graves para os planos de Guedes, àss quais a imprensa não tem dado a devida atenção.

A pior delas, do ponto de vista da economia é o estabelecimento de regras de transição mais próximas do que eram no projeto de Michel Temer e as de agora.

Este é, segundo os números divulgados ontem – ainda de forma muito agregada – a principal fonte do dinheiro que Guedes ambiciona.

São R$ 433 bilhões nas aposentadorias urbanas, de trabalhadores em geral, professores e aposentadorias especiais, pagas a quem exerce trabalhos insalubres. Nos quatro primeiros anos, R$ 33,6 bilhões dos R$ R$ 65,6 bilhões que se pretende tirar neste período dos aposentados do Regime Geral. É só esticar a transição e o dinheiro fica para as calendas.

Há também as pensões por morte e as aposentadorias por invalidez, de onde o governo pretende sacar, nos primeiros quatro anos, R$ 18,4 bilhões, valor quase igual ao da cassação do abono salarial para os trabalhadores entre um e dois salários mínimos.

Como o saque total da previdência, nos quatro primeiros anos, soma R$ 110 bi, não é difícil que se arruine os efeitos financeiros da reforma com propostas que não podem levar o nome de “defesa dos privilégios”.

Ao contrário, descendo ao detalhe de cada situação, esvazia-se este discurso.

Dos 319.794 benefícios concedidos no mês de janeiro deste ano pela Previdência, 315.448 ficaram abaixo de R$ 5 mil.

Recomenda-se que o sr. Guedes guarde as suas garras para enfrentar esta turma e tchuchuque os deputados para aprovar esta monstruosidade.

Achar que os ronronados de Rodrigo Maia resolvem tudo é um erro.

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