A “parabólica” da Lava Jato

O empresário José Aldemário Pinheiro Filho, mais conhecido como Léo Pinheiro, saiu esta semana da cadeia, depois de três anos preso.

Estes três anos – nos quais se pode “construir” histórias e “provas” – não foram suficientes para que se desse a conhecer o que ele havia delatado (vê-se que “espontaneamente”) sobre os arreglos feitos com a cúpula do tucanato: José Serra e Aloysio Nunes Ferreira.

Parece a máxima de Rubens Ricúpero no chamado “Escândalo da Parabólica”, onde o ex-ministro foi ao ar dizendo: “Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde.”

Só vieram à tona, assim mesmo, porque os anexos com suas acusações foram anexados na mensagens vazadas obtidas pelo The Intercept. que a Folha publica hoje.

Propinas diretamente ligadas a obras em São Paulo: a ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira, a avenida Roberto Marinho, o túnel da Radial Leste, a rodovia Carvalho Pinto e a linha 4-amarela do Metrô, entre outras, pagas em doações eleitorais ou em dinheiro vivo.

Embora tenham mais de dois anos – a delação data de junho de 2017 – ficaram e ficariam na sombra.

Apenas uma denúncia veio à luz, justo aquela na qual não consegue explicar qual e quanto seriam a razão da vantagem e o seu valor: a do triplex “atribuído” a Lula.

Nas outras, dinheiro contado e embalado em envelopes, posto dentro de maletas de laptop, entregue a pessoas com nomes e em lugares com endereço.

Para Lula, a suposta promessa jamais escrita ou documentada de que, sabe-se lá quando e como, o apartamento lhe seria transferido.

O certo adormeceu nas gavetas; o duvidoso foi para as páginas de jornal e para a sentença de Sérgio Moro e, depois, para a do TRF-4.

A balança da Justiça brasileira seguramente não passaria em qualquer teste do Inmetro.

Mas ela é a de uma quitanda onde o peso se mede pelo freguês.

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