A MP do “morra sem emprego, velho desgraçado”

O governo retirou os trabalhadores e trabalhadores de sua MP do Emprego, que concedia benefícios fiscais – como fora anunciado – a jovens que estivessem trabalhando pela primeira vez e a quem tivesse maiores dificuldades em conseguir trabalho por ter mais de 55 anos de idade.

Era um “remendão”, mais ainda poderia garantir a muitos o direito de se aposentarem.

Como esta turma do “55 ou mais”, na qual já me incluo faz tempo, terá, com a reforma da Previdência, de trabalhar pelo menos até os 65 – não importa quantos anos de contribuição tenha – isso quer dizer que, quem perder o emprego após os 55 vai é ficar desempregado mesmo, esperar pelo menos uma década e ainda se aposentar, como ficou no olho da rua, com menos do que a merreca tradicional.

Sabe aquela senhorinha que está lá na caixa do supermercado defendendo a vida? Ou o senhorzinho que arranja um trampo de porteiro para ir sobrevivendo até fazer o tempo do INSS? Esqueça, sem chance. Que vão se humilhar vivendo na casa do filho e da filha, num canto, se tiverem um filho ou filha com a sorte de terem um emprego e uma casa.

O programa, na verdade, é um “estagião”: quem der o primeiro emprego a alguém entre 18 e 29 anos não paga a contribuição previdenciária patronal – pra quê, se esta garotada não vai se aposentar nunca, não é? – e recolhe um quase nada (2%) de Fundo de Garantia. Dois anos depois, cessa o benefício e o “chutado” ganha 48% do salário (mínimo, decerto) de FGTS.

Ah, e para não perder a viagem, embutiu-se na MP o direito do patrão obrigar o trabalhador a não folgar nunca aos domingos, e não escalonadamente. E ainda diminui a correção das dívidas trabalhistas, tornando um bom negócio não pagar e aplicar o dinheiro.

 

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