A gaveta da Raquel e o destino de Deltan

Lembra daqueles promotores que se juntaram às manifestações de 2013, exigindo a rejeição da PEC 37, para que o Ministério Público pudesse, de forma independente, fazer as investigações que bem entendesse?

Esqueça.

Na Folha de hoje, está o retrato do MP que se formou com a hegemonia coxinha e o papel de sabujice a que ele está reduzido agora.

Raquel Dodge reencarnando a sinistra figura do engavetador-geral da República.

Pois foi na gaveta que ela reteve por quatro meses processos “desagradáveis” a Jair Bolsonaro: um, sobre a “Wal do Açaí” e outro sobre a sinecura dada a Nathalia Queiroz, além de segurar uma ação contra Rodrigo Maia e de recorrer contra a decisão de Dias Toffoli sobre o Coaf deixando uma brecha para manter no esquecimento as contas de Flávio, o filho do capitão.

Tudo isso é pouco perto do que é possível que aconteça hoje: deixar impunes Deltan Dallagnol e os seus comandados depois das revelações escandalosas de todas as irregularidade e deformações a que se dedicaram na Força Tarefa de Curitiba, transformando-se num centro de conspiração contra o devido processo legal e avançando, criminosamente, para uma ação de chantagem sobre o Supremo Tribunal Federal.

Tudo se pode esperar, pois são evidentes os sinais de que a lei que rege hoje o MP é a do corporativismo e a da submissão mais abjeta ao poder autoritário que sua ação legou ao Brasil.

Não à toa o ex-valente Augusto Aras já anunciou publicamente que levará para seu staff, se Bolsonaro o ungir Procurador Geral, um sujeito de natureza obscurantista que Bolsonaro tentou nomear na falecida Comissão de Direitos Humanos na vaga da PGR e os próprios procuradores rejeitaram, por ser overdose.

Com as devidas e honrosas ressalvas a alguns, este foi o Ministério Público que saiu da Lava Jato: valente com os fracos, submisso aos poderosos.

 

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