À espera da jamanta ou ‘similia smilibus curantur’

Logo nos primeiros dias depois do escândalo provocado pelas revelações do  The Intercept Brasil, numa participação numa entrevista realizada pela TVT, respondendo a uma pergunta sobre se os acontecimentos poderiam levar a Justiça brasileira a voltar a um quadro de normalidade – o que implicaria a anulação do processo do triplex, pela evidente parcialidade do juiz Sérgio Moro – dise não acreditar que isso pudesse acontecer rápido.  E usei uma imagem: saímos tanto do caminho que não será um simples choque que nos fará voltar a ele, que seria preciso que uma jamanta abalroasse o Judiciário brasileiro.

Ontem, com o julgamento dos habeas corpus de Lula e com a sabatina ( com direito a lances de horror explícito) tive a nítida impressão de que, afinal, a jamanta se aproxima.

Parece que as manifestações de Green Greenwald sobre novas revelações bombásticas  e a de Celso de Mello sobre o impacto destas no caso poderiam ser ser resumidas com a mesma frase: “Sim, mas ainda não”.

Mello, se não abriu a porta para Lula, também nao a tranncou. Ao postergar o adiamento da apreciação do mérito da suspeição evidente de Moro, o decano da corte pareceu querer dizer: esperem que isso se torne evidente para todos e ajude a tornar politicamente palatável a decisão necessária. Celso de Mello é um conservador, politicamente alinhado com os conceitos anti-PT, mas deixou claro que haverá um limite em sua tolerância aos abusos do ex-juiz de Curitiba.

Greenwald, enquanto demolia o PSL impiedosamente na Câmara, não fez não antecipou revelações  e deixou como ponto central de suas falas o fato de que a entrada da Folha no caso – e em breve, de outro veículo “de direita” – vão demolir o argumento de que o “Morogate” possa ser uma simples “armação” esquerdista para beneficiar Lula.

O jornalista mostrou que está há tempo suficiente no Brasil para entender que aqui a busca da verdade é um pequeno detalhe perto da manipulação de imprensa e Justiça por interesses.  É como se Davi compreendesse que precisa da ajuda de alguns brutamontes para enfrentar Golias.

Aliás, a forma e o número de vezes que Glenn se referiu à revista Veja são suficientes para que se imagine que é a revista o novo parceiro estratégico do jornalista. uma destas ironias que só no Brasil de Augusto dos Anjos se poderia imaginar: a revista que erigiu a imagem de deus do juiz de Curitiba ser aquela que pode acelerar seu caminho para a fogueira das inutilidades.

Para o recente gosto do ministro Moro pelo latim, similia similibus curantur,  os semelhantes curam-se pelos semelhantes.

O fato é que, não tendo se tornado avassaladoras, as fogueiras que ardem no caso Lula seguem acesas embora ainda não altas o suficiente para imolarem Sérgio Moro.

Tudo indica que em breve subirão.

 

 

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