A economia legitima o autoritarismo? Não, o autoritarismo arruina a economia

Com alguma vergonha, os “especialistas” – para usar a palavra da moda, já que “economista” anda meio por baixo – procuraram , na sexta-feira, “explicar” que o estigma colocado em Jair Bolsonaro pelo seu dileto Secretário de Cultura, Roberto Alvim, em nada influenciava o esperado “agora vai” da economia.

É claro que isso é apenas uma tolice autoindulgente do pessoal do mercado, tanto nos que não têm coragem de assumir sua identidade com o autoritarismo reinante quanto dos que, apesar de reconhecê-lo, toleram-no em nome do “bom desempenho” do mercado.

Tolice porque, em primeiro lugar, sabe que não há bom desempenho econômico, embora possa haver bolhas especulativas no mercado de renda variável – em especial a Bovespa – graças à virtual demolição das aplicações em renda fixa, agora reduzidas ao mínimo necessário para suprir necessidades de fluxo de caixa, por conta da redução dos juros.

E é assim porque as condições estruturais para um bom desempenho econômico – trabalho, renda, consumo e investimento – seguem deprimidas e sem sinal de alguma melhoria que não seja eventual.

O autoritarismo, ao contrário, joga contra estes fatores – facilitam-se demissões, não se geram novos postos de trabalho, reduz-se a segurança para tomar créditos, não se iniciam grandes obras públicas (mal e mal concluem-se, com atraso, a já iniciadas) de infraestrutura e de habitação.

Os colaboracionistas do fascismo tupiniquim, se não prezam seu povo e seu país, ao menos poupem-se de mentir: apoiam Bolsonaro por simples e prosaicas razões: engolirem ou deixarem engolir o patrimônio nacional e destruir os direitos sociais construídos ao longo do século 20.

Não é pela economia que o sustentam, é pelos negócios. Parece o mesmo, mas são coisas muito diferentes.

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