O cerco às ilegalidades cometidas pela Lava Jato continua se fechando, sempre muito lentamente.

Hoje, é a vez de Veja revelar que as comunicações promíscuas entre juiz e promotoria aconteciam também no TRF-4, tribunal revisor das sentenças de Sérgio Moro na 1a. instância.

Em diálogo revelado na revista Veja, o procurador Deltan Dallagnol, da Força Tarefa, diz ao procurador junto ao tribunal superior, Carlos Augusto da Silva Cazarré, que – segundo ele em “encontros fortuitos” – teria antecipado o seu voto num recurso do doleiro Adir Assad e informado ao MP que “achava as provas fracas”:

“O Gebran tá fazendo o voto e acha provas de autoria fracas em relação ao Assad”.

Diz a Veja:

Naquele momento, em paralelo, a força-tarefa negociava com o condenado um acordo de delação (esse acordo seria fechado em 21 de agosto de 2017). Daí a preocupação do MPF com a possibilidade de Assad ser absolvido e voltar atrás nas conversas sobre delação.

Ou seja, absolvido, Assad não teria mais razões para ser delator.

Meses depois, Gebran confirmou a sua condenação, usando na sentença, como prova, o conteúdo de outra delação, fechada depois de Moro ter proferido a sentença original.

Glenn Greenwald, que é advogado além de jornalista, parece estar cumprindo um longo e meticuloso roteiro: mostrar o clima de intimidade reinante na Lava Jato antes de exibir as cenas mais explícitas de promiscuidade entre julgadores e acusadores.

Comentários no Facebook